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A leitura enquanto instrumento de ação e transformação que se concretiza na relação professor x aluno

Autor: Carlos César de Oliveira
Data: 25/07/2016
    Há algum tempo tenho observado uma mudança de comportamento da escola, embora que ainda distante do desejado, no que se refere ao exercício da leitura em sala de aula. Não pretendo ser generalista, mas fica notório que essas mudanças vêm acontecendo graças ao advento da Linguística e às novas práticas pedagógicas, que aliadas ao uso de novas tecnologias possibilitam com que a escola trabalhe a leitura de forma mais dinâmica.
    Face a isto, as discussões sobre o ensino de língua portuguesa ganharam uma outra dimensão, tendo em vista as questões que envolvem o ambiente escolar, principalmente no que concerne à leitura e a sua aplicabilidade em sala de aula. Venho observando que essas discussões têm contribuído para promover uma reflexão sobre o valor da leitura e questionando alguns paradigmas da escola que, durante muito tempo, se pautou apenas no uso da gramática normativa.
    Diante desse novo contexto, tornou-se necessário repensar e aprimorar o ensino, dando ênfase a leitura, a compreensão do texto e a produção textual. Dessa forma, a leitura adquire um papel fundamental na escola, colaborando para que o educando tenha contato com a pluralidade de informações e significados que estão presentes no texto. A partir desse contato ele consegue refletir e inferir acerca do mesmo, construindo, assim, uma análise crítica da realidade a partir da construção do conhecimento mediada pelo professor.    
    É importante destacar que a ideia de escrever sobre esse tema tem seu fundamento na práxis vivenciada na experiência com alunos do Ensino Fundamental e Médio. Por meio dessa experiência foi possível constatar que, diariamente, os alunos fazem diversas leituras da realidade por eles vivenciadas e que o exercício da leitura se torna mais prazeroso quando ele consegue estabelecer uma relação entre a mensagem e sua história de vida.
    Seguindo esse pensamento, foi possível constatar que o aluno observa com mais atenção aquilo que faz parte do seu mundo, despertando o desejo de ler através da ressignificação do enredo ou da mensagem proposta pelo professor. Por esse motivo, torna-se imprescindível conhecer as particularidades do mesmo, para assim iniciar o processo de construção através da leitura.
    Com esse olhar mais sensível para a realidade do educando, é possível criar um ambiente que estimule não somente à leitura, mas a uma participação mais ativa nas aulas, elevando a capacidade de questionar, inferir ou até mesmo de dialogar com o professor e demais colegas.
    Face a isto, pode-se concluir que o exercício da leitura é imprescindível para o bom andamento da sala de aula. Por meio dele, os alunos têm contato com um outro universo e, em função disso, ampliam os seus conceitos seja através da reflexão sobre o texto ou por meio da socialização com os colegas.
    Nesse sentido, a leitura é uma ferramenta de fundamental importância para a construção do conhecimento, tendo em vista o seu poder de cooperar com o desenvolvimento das habilidades linguísticas, de favorecer para uma melhor compreensão da realidade e, de forma mais específica, pela sua capacidade de estimular ao contato com várias tipologias textuais.
    A respeito disso, convém ressaltar que a leitura é, também, um instrumento de aprendizagem que contribui para o desenvolvimento da oralidade e da escrita, por esse motivo ela se torna essencial para o ser humano, visto que pode levá-lo a enxergar os fatos de forma mais crítica, favorecer, assim, para a compreensão da realidade.
    Pensando nisso, acredita-se que uma das maneiras mais efetivas para identificar o nível de leitura dos alunos é através de uma avaliação diagnóstica. Assim, o professor terá uma compreensão mais ampla do cenário ou da realidade de cada turma e poderá desenvolver ações de acordo com o perfil e as necessidades dos alunos. Por meio deste diagnóstico, realizado nos primeiros dias de aula, ou mesmo no início de cada aula, o professor poderá nortear suas ações e definir a melhor estratégia de trabalho, de forma que os objetivos sejam alcançados.
    A realização do diagnóstico, ora proposto, possibilitará com que o professor tenha o mapeamento das necessidades dos alunos e, diante desse cenário, poderá atuar de maneira mais efetiva, face ao dinamismo da sala de aula, seja com relação à leitura ou à sistematização do conhecimento com foco na melhoria do desempenho e no desenvolvimento da aprendizagem.
    Neste sentido, ao ler na sala de aula, é imprescindível que o professor valorize o conhecimento do aluno, fazendo as ponderações necessárias à fim de criar um ambiente de interação propicio à prática da leitura e à troca de experiências entre os alunos, resultando, assim, em um rico processo de construção do saber.
    Do ponto de vista pedagógico, convém lembrar que através do estímulo à leitura o professor estará inovando a sistemática de ensino e, ao mesmo tempo, demonstrando aos alunos que a linguagem pode variar dependendo da situação, do local e do grupo social ao qual ele pertence. Por esse motivo é importante ter clareza de que ao explorar o texto, o educando agrega a ele uma série de significados construídos a partir da sua visão de mundo. E é justamente com base nessa visão que ele faz associações, que ele questiona a realidade e, ao mesmo tempo, através dos elementos gramaticais presentes no texto, rompendo assim, muitas vezes, com a artificialidade da linguagem textual.
    Em se tratando de valor da leitura, é importante frisar a relação intertextual que possibilita com que o aluno relacione ou compare o texto lido com outros textos que ele conhece, com outras tipologias textuais ou até mesmo com a sua própria história de vida. Enfim, todos esses fatores contribuem para estimulá-los, fazendo com que os mesmos se sintam importantes e partícipes desse processo de construção do conhecimento.
    Destaque-se, ainda, que o ato de ler implica em atribuir uma significação ao texto, procurando estabelecer relações entre o texto lido e seus significados. Para isso, o leitor deve ser ativo e capaz de atribuir significações ao texto. Entretanto, o que emerge do ambiente escolar são os desafetos de professores que lamentam ou criticam o fato de que crianças e jovens que não gostarem de ler.
    De fato, esta é uma realidade presente nas escolas e vários fatores têm contribuído para que isso aconteça, inclusive fatores inerentes à própria escola que pouco incentiva à leitura e, quando incentiva, muitas vezes dificulta o acesso, pelo distanciamento entre o texto proposto e a realidade vivenciada pelo educando. Isto significa dizer que a escola dentro de suas concepções pedagógicas não consegue ultrapassar os seus muros e chegar até a comunidade, desvalorizando os saberes construídos no cotidiano do aluno.
    Dentro do ambiente escolar, o que se observa são afirmações do tipo o aluno não gosta de ler, porém quando mal discutidas podem transformar-se em preconceito ao fato do aluno não ter o hábito de ler e, por conseguinte, não realizar a leitura desejada pela escola. Daí a importância da sensibilidade do professor, através de uma avaliação diagnóstica e da atuação de sua equipe pedagógica, no estudo e definição de novas estratégias de fomento à leitura.
    A fim de romper com esse preconceito, a realização de um diagnóstico subsidiará e servirá de embasamento para as ações realizadas pela escola. Para tanto, é imprescindível ter clareza quanto a algumas questões: a escola tem refletido suficientemente sobre o valor da leitura na sala de aula? Que análise tem sido feita sobre a relevância dessa leitura? Como os professores têm trabalhado o exercício da leitura dentro da sua didática de ensino? Assim, diante de tais respostas será possível fazer uma análise da realidade e concluir acerca da importância da relação entre leitura x experiência de vida, isto é, teoria x prática.
    Sobre esse assunto, Rocco¹ afirmou que a criança, o jovem que estuda, e também o adulto, todos gostam de ler e leem razoavelmente. Mas, salvo exceções, não suportam ler na escola, já que os textos que lhe são propostos quase nunca despertam, mesmo sendo considerados clássicos, o necessário prazer que deve presidir toda a atividade do leitor. Leem mais por exigência de uma avaliação ou para responder às questões pouco interessantes dos livros didáticos e cujas propostas são exigidas e avaliadas pelo professor. O intuito de trazer esse pensamento foi justamente para demonstrar que a dicotomia existe entre gostar de ler x fazer leitura por imposição.
    Neste caso, a avaliação diagnóstica é de fundamental importância tanto para o trabalho do professor como para a construção de um projeto pedagógico que trabalhe a leitura de forma dinâmica e prazerosa, capaz de estimular a curiosidade ou o desejo dos alunos acerca de um determinado tema.
    Acentue-se que a leitura é impositiva pode resultar em uma barreira entre o educador e o educando, dificultando o diálogo e, consequentemente, a construção do conhecimento intrínseca do ato de ler. Por esse motivo, é importante realizar uma sondagem sobre o livro ou a fonte a ser trabalhada, seguindo-se da problematização e dos objetivos a serem alcançados pela leitura proposta.
    Agindo assim, a leitura passa a ser trabalhada como um processo e, enquanto processo, observará o perfil do leitor, suas necessidades e motivações, preparando-os para a realização concreta que está no ato de ler. Deste modo, ao ler os alunos já terão um embasamento sobre o tema o que contribui para despertar a sua curiosidade e aguçar o desejo pela leitura.
    É notório que o fato do educando não gostar de ler na escola é, na maioria das vezes, resultante da pouca ou ausência de estímulos ou mecanismos capazes de despertar o seu interesse. Portanto, a leitura deve ser vista como algo que nos satisfaz e não como um instrumento de cobrança e punição.
    Acrescente-se a isto que a leitura proposta pelos livros didáticos está, muitas vezes, distante do universo conceitual dessa criança. Além disso, há um outro fator limitador que pode ser observado na imposição do mundo adulto para o mundo infantojuvenil, através da linguagem normativa e dicionarizada.  
    Atender a esse público exige do professor um trabalho dinâmico, caso contrário não será compreendido pelos educandos. Por esse motivo, proponho iniciar um projeto de leitura trazendo recursos áudio visuais e situações do cotidiano capazes de estabelecer uma relação entre leitura x realidade, estimulando, assim, a curiosidade e despertar do desejo de ler.
    Por fim, gostaria de destacar que as práticas de leitura na escola não nascem do acaso e tampouco do autoritarismo do professor implícito no exercício ou na tarefa, mas sim no desenvolvimento de um plano de ação que incorpore as necessidades, inquietudes e desejos dos alunos-leitores. No entanto, para que isso aconteça é necessário conhecer os anseios, objetivos e, acima de tudo, os gostos dos discentes. Afinal, não basta mandar o aluno ler, é preciso ir mais além, instigar a sua curiosidade e envolvê-lo significativa e democraticamente nas situações criadas promovidas pela escola que, sem dúvidas, tem um papel de grande relevância no exercício da leitura.



¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬_____________________
1 ROCCO, M. T. F. A Importância da Leitura na Sociedade Contemporânea e o Papel da Escola Nesse Contexto. Série Ideias n.13. São Paulo: FDE, 1994, p.37-42.

 

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