Artigos Pedagógicos
  Avaliação Educacional
  Escola Digital
  Educação a Distância
  Educação Inclusiva
  Educação Infantil
  Estrutura do Ensino
  Filosofia da Educação
  Jovens e Adultos
  Pedagogia Empresarial
  Outros Assuntos
 História da Educação
 Linhas Pedagógicas
 Metodologia Científica
 Projetos/Planejamento
 Biografias
 Textos dos usuários

 Listar Todas
 Por Níveis
  Educação Infantil
  Ensino Fundamental I
  Ensino Fundamental II
 Por Disciplinas
  Matemática
  Língua Portuguesa
  Ciências
  Estudos Sociais
  Língua Inglesa
  Língua Espanhola

 Jogos On-line
 Desenhos para Colorir
 Contos e Poesias

 Glossário
 Laifis de Educação
 Estatuto da Criança
 Indicação de Livros
 Links Úteis
 Publique seu Artigo
 Fale Conosco

 
Busca Geral

 

Semiótica e sua Aplicação ao Texto Literário

Autor: Ricardo Santos David
Data: 23/11/2015
     O conceito de texto ultrapassa os limites do código verbal e isso pode ser percebido na literatura.  A linguagem atua na sensibilidade e na cognição do leitor para a concretização do livro.

Pretendemos, portanto, abordar aspectos que auxiliem a construção de um conceito de semiótica, bem como ressaltar particularidades dessa análise.

     A compreensão que a maioria das pessoas tem da palavra signo é uma visão limitada. Na verdade, em nossa sociedade, quase tudo é signo de algo. Certas roupas são sinais de que a pessoa está na moda, certos carros são símbolos de status. É impossível realizar a maior parte de nossas atividades diárias sem o auxílio de símbolos.

     Na verdade, os signos foram uma das mais importantes e mais geniais invenções do ser humano. Antes dos signos, para nos referirmos a algo, precisávamos mostrar do que se tratava. É muito mais prático dizer a palavra que pode designar o que se quer mostrar. Os signos são isso: um substituto para as coisas. Eles estão no lugar das coisas, as representam.

     Os signos sempre fascinaram os pensadores e são estudados desde a Grécia antiga, passando pela Idade Média e pelos filósofos iluministas. Mas, como vimos, uma ciência dos signos só foi se firmar no final do século XIX e início do século XX, com Charles Sanders Pierce nos EUA e Ferdinand de Saussure na Europa, fundadores de uma ciência dos signos.  E os partidários de Pierce chamaram essa ciência de semiótica e os adeptos de Saussure a chamaram de semiologia.

     A corrente saussuriana se notabilizou pela análise dos signos linguísticos, enquanto os piercianos abriram sua análise também para outras formas de representação.

     Pierce diz que signo é aquilo que está no lugar de outra coisa. A palavra pedra está no lugar da coisa pedra. Podemos dizer também que signo é tudo aquilo que representa uma coisa que não seja ele mesmo. Uma pedra é apenas uma pedra, um objeto, mas se uma empresa de construção convencionar que a pedra é seu símbolo, ela passa a ser um signo.

     A literatura é essencialmente polissêmica. A polissemia é que permite os trocadilhos, um recurso muito usado pelos humoristas, por exemplo. E o que dizer da poesia? Pura polissemia.

     Por outro lado, pode haver erros de interpretação: o emissor está pensando em um referente, mas o receptor interpreta a frase com outro significado. É o caso de dizermos pedra e a pessoa entender Pedro. Esse fenômeno é chamado de ruído e é estudado pela teoria da informação.

     Um aspecto importante da semiótica é a necessidade de intérprete. Só temos signos quando há pessoas para interpretá-los.

     Esse processo de transformação de coisas em símbolos é cultural e arbitrário. De repente alguém decide que algo vai representar tal coisa. Se pegar, aquilo passa a representar algo além dele mesmo.

     Segundo Pierce, existe três tipos de signos: os ícones, os índices e os símbolos.
     Os índices, talvez os primeiros signos utilizados pelo homem, têm uma relação com contiguidade com a coisa representada. Ou seja, como sempre vemos um e outro junto, passamos a associar uma coisa a outra.

     Por exemplo, como vemos sempre fogo e fumaça, logo associamos que onde há fumaça, há fogo. A fumaça virou índice do fogo.

     Os ícones são signos que guardam uma relação de semelhança com a coisa representada. São o tipo de signo mais fácil de ser reconhecido. Não é necessário qualquer tipo de treinamento para identificar uma foto de um cachorro. Basta ter já visto um cachorro antes.

      Exemplos de ícones são fotos, desenhos, estátuas, filmes, imagens de TV. Um tipo especial de palavras também é considerado ícone: as onomatopeias, que representam os sons das coisas e dos animais.

      Os símbolos são signos muito mais complexos. Imagina-se que eles só tenham surgido em uma fase mais avançada da civilização humana.
 
      Os símbolos não guardam qualquer relação de semelhança ou de contiguidade com a coisa representada. A relação é puramente cultural e arbitrária. Para compreender um símbolo, é necessário aprender o que ele significa.

      As palavras, por exemplo. Para compreender que o conjunto de sinais PEDRA significa a coisa pedra, preciso ter sido alfabetizado, ou seja, passado por um treinamento.
São exemplos de símbolos as palavras, os símbolos matemáticos, os símbolos químicos, as bandeiras de países e clubes. Os símbolos são criados no momento da criação do código.

     É o código que diz os sinais que são válidos e os que não são. É também o código que nos diz como os símbolos devem se relacionar entre si e às vezes um signo pode ter mais de uma classificação.

     Por outro lado, é possível que um símbolo tenha características de ícone. É o caso de uma poesia sobre a chuva em que as letras vão caindo como gotas de chuva.

   As logomarcas das empresas normalmente são símbolos que apresentam características de ícones. Isso é feito para que a compreensão da mensagem seja mais rápida e funciona tão bem que até mesmo crianças que ainda não foram alfabetizadas conseguem ler logomarcas. Elas leem visualmente.

     Também acontece de um signo contaminar o outro e passar suas características para ele. Essa contaminação pode ocorrer por similaridade ou contiguidade. Dois signos semelhantes podem transferir seu significado um para o outro.
     
     Ao ver uma foto de um tigre, uma criança pode achar que se trata de um gato, devido à semelhança dos dois. A contiguidade ocorre quando colocamos dois signos próximos um do outro. A foto de pessoas junto à palavra felicidade dará a entender que essas pessoas são felizes.

O leitor e a semiótica

     Entendemos texto como uma unidade mínima de significação, de modo que o leitor assume um papel ativo na constituição dos sentidos do texto, uma vez que esses sentidos dependem da sua atuação sobre o livro. Os significados constituem-se por meio de sua compreensão.

     Portanto, consta-se que o livro possui em sua estrutura elementos de modalização do sujeito leitor, que é provocado para um fazer transformador, tanto do texto como do leitor.
     Cria-se um todo articulado por diferentes unidades de significação, para engendrar sentido. Esse que se constitui pelo ato gerador de significar, supera a recepção e a percepção, e instala um sujeito semiótico, resultante da organização discursiva do texto.
 

Curta nossa página nas redes sociais!

 

 

Mais produtos

Sobre Nós | Política de Privacidade | Contrato do Usuário | Anuncie | Fale Conosco

Copyright © 2008-2017 Só Pedagogia. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por Virtuous.