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Tecnologia e o Consumo do Conhecimento

Autor: Alexandre Felício
Data: 11/11/2015
Depois de uma ida ao médico você decide que chegou a hora de se cuidar. Exames já revelaram o peso do sedentarismo e aquela bronca do doutor te fez ficar disposto a ser uma nova pessoa. Em uma semana você já se matriculou na academia, começou dieta e percebeu que precisa se equipar para essa "nova vida". A melhor ideia é pesquisar na internet as ofertas de roupas e calçados adequados e isso te leva a uma sucessão de cliques. Em cada um deles, você deixou um rastro e, de repente, ofertas irresistíveis de combos que parecem ter sido pensados única e exclusivamente para você.  

Mas o que tudo isso tem a ver com educação? Eu lhe digo: absolutamente tudo e quase nada. As grandes empresas aperfeiçoam seus algoritmos a cada dia buscando entender melhor quem somos, o que gostamos, onde vamos, o que consumimos, comemos e com quem nos relacionamos. De tudo isso, querem que nós gastemos mais! Coletam nossos dados e oferecem às empresas para que nos tornemos fontes de receita!  Já pensou em toda essa inteligência usada para que nossos alunos aprendam mais, melhor e de maneira personalizada? Vamos traçar um paralelo agora com um aluno desta nova geração, que já nasce conectada, deslizando seus dedinhos pelos tablets desde tenra idade.

Lá está Joãozinho (sempre ele) estudando matemática. Depois de horas online, acompanhando vídeo aulas, jogos e questionários, o que aconteceu? Joãozinho deixou rastros, muitos rastros. Então, o sistema inteligente analisa todas as informações, informa seus professores através de relatórios em tempo real, e recomenda quais seriam os próximos passos ideais para nosso querido aluno.

A revolução na educação passa pelo engajamento dos alunos e isso fica difícil sem o avanço da inteligência artificial na educação.  Muito se fala e pouco se faz! Ou quase nada se faz! Ouço muito que nada terá sentido em um país em que os professores não estão preparados para utilizar tecnologia, ou não tem motivação por conta dos baixos salários e falta de estrutura. Mas enquanto procurarmos desculpas, vamos encontrá-las aos montes.

Chegou a hora de agir, colocar a equação sobre a mesa e dizer "Temos um grande problema! Eba, então temos uma grande oportunidade! Vamos começar a resolver agora mesmo!". É preciso impor à educação um espírito empreendedor, que abrace a tecnologia como uma parceira, não uma adversária. Ou vamos perder esta geração para o que a tecnologia tem de pior se nunca ter-lhes oferecido o melhor.
 

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