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A Formação de Educadores para Atuarem na Educação Escolar de Jovens e Adultos

Autor: Núbia da Silva Lopes Freitas
Data: 12/02/2016
Resumo

O presente trabalho tem como objetivo apresentar os resultados de uma pesquisa que buscou compreender e refletir sobre a percepção que graduandos do curso de pedagogia e sua professora da disciplina EJA - Educação de Jovens e Adultos - têm sobre as potencialidades e limites da formação acadêmica dos pedagogos que poderão atuar na EJA. Essa pesquisa qualitativa foi realizada em 2014 junto a discentes e docentes do curso de pedagogia de uma universidade federal, em três etapas: foi feita uma entrevista com alunas da graduação que estão fazendo a disciplina, e a Docente responsável pela disciplina, e em seguida fez-se análise dos dados obtidos no sentido de  contribuição à disciplina para formar profissionais que compreendam as especificidades desta modalidade de ensino.  A análise os dados obtidos a partir das perspectivas de Paulo Freire, Tânia Maria de Melo e Maurice Tardif.

Palavras-chave: Educação de Jovens e Adultos; Formação de Professores.


1. Introdução

Este artigo discutirá os resultados de uma pesquisa que buscou compreender e refletir sobre a percepção que graduandas do curso de pedagogia e sua professora da disciplina EJA - Educação de Jovens e adultos têm sobre as potencialidades e limites da formação acadêmica dos pedagogos que poderão atuar na EJA. 

O interesse em refletir sobre a formação de professores para atuar na EJA, partiu da preocupação advinda da percepção de que os cursos de pedagogia pouco falam do assunto. Em publicação da Nova Escola de setembro de 2010, afirma-se  que é consenso entre os especialistas que a formação dos professores é o fator de maior impacto na qualidade do trabalho e no resultado positivo dos alunos. Segundo a revista, muitos programas de EJA apostam no voluntariado despreparado para dar aulas e que mesmo quando se trata de formação de docentes há sérios problemas, sendo que o principal é que a formação inicial pouco aborda a EJA. A revista também acrescenta que pesquisa da Fundação Victor Civita (FVC), realizada pela Fundação Carlos Chagas (FCC), a etapa é abordada em apenas 1,5% do currículo e por isso o investimento em formação continuada é imprescindível.

Mesmo nas políticas públicas voltadas para educação, a formação do professor para atuar na EJA é pouco enfatizada, por exemplo, nas Diretrizes Curriculares que pouco aborda a formação de professores para atuarem na EJA. No PNE que define metas para educação no Brasil de 2014 a 2024, as metas 9  e  10 tratam da ampliação da EJA para erradicação do analfabetismo e para maior acesso a escolarização e profissionalização de adultos. No entanto, não há nenhuma estratégia que trata especificamente da capacitação dos profissionais que atuarão na EJA. O mesmo acontece pra outras modalidades de ensino, como a formação de professores para atuarem na educação de indígenas, quilombolas e especial.

No curso analisado, a disciplina EJA faz parte da grade curricular por ser um campo de atuação do pedagogo. No entanto, o que se percebe é que o curso é totalmente voltado para educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental, tendo apenas noventa horas da disciplina EJA, somente no 4º ano do curso de pedagogia.

Diante disso iniciei as reflexões como provocação para o repensar a importância da disciplina para a formação do docente para atuar na EJA, uma vez que, segundo Moura (2009), sem a devida qualificação, os professores passam a desenvolver a prática pedagógica ignorando as especificidades e peculiaridades dos sujeitos em processo de escolarização. Muitos professores utilizam metodologias sem qualquer significado para os alunos- trabalhadores, desconsiderando o contexto e a historicidade desses sujeitos. Paulo Freire (1996) afirma no seu livro Pedagogia da Autonomia, que a "reflexão crítica sobre a prática se torna uma exigência da relação Teoria/Prática sem a qual teoria pode ir virando blábláblá e a prática, ativismo."

Refletindo sobre essas afirmações me propus a  investigar se  a formação inicial do docente em uma universidade federal, especificamente no curso de graduação em pedagogia, está sendo suficiente para esse discente conhecer as especificidades do trabalho docente na EJA, uma vez que estes profissionais irão sair da Universidades, muitas vezes, indo direto atuar na EJA.

Para apresentar os resultados da pesquisa, vamos detalhar a metodologia utilizada para seu desenvolvimento. Em seguida, vamos analisar os dados coletados em diálogo com outras pesquisas já realizadas sobre a temática.

2. Os caminhos da pesquisa

Essa pesquisa foi realizada  no ano de 2014 junto a discentes e docente do curso de pedagogia de uma universidade federal, a qual foi  dividida  em três etapas:  num primeiro momento foi feito levantamento bibliográfico, que enfatiza a formação do professor para atuar na EJA, em seguida, foram feitas entrevistas com alunas da graduação que estão fazendo a disciplina EJA, e com a Docente responsável pela disciplina, e por último fez-se a análise dos dados obtidos no sentido de analisar a contribuição da disciplina para formar profissionais que compreendam as especificidades desta modalidade de ensino.

Esta foi uma pesquisa qualitativa porque os entrevistados foram estimulados a pensarem livremente sobre o tema, a fim de alcançar  percepções e entendimento sobre a questão, abrindo espaço para interpretação e reflexão. Além disso, foi uma pesquisa de história oral temática porque durante as entrevistas pediu-se para as alunas focarem na sua trajetória no curso de pedagogia e a professora foi estimulada a falar de suas percepções acerca do curso e sua formação docente. Diante disso pudemos traçar um perfil acadêmico das alunas e professora.

As alunas entrevistadas estavam cursando o 4º ano do curso de pedagogia e todas elas avaliam que o curso é bom, porém  elas afirmam que não saem da faculdade preparadas para atuarem na EJA, que as hora da disciplina e a prática são insuficientes. Neste sentido,  uma das graduandas entrevistas afirma que a pessoa não sai daqui preparada totalmente, porque é muito rápido o ensino, então ela vai ter que procurar outro curso de especialização e no inicio com certeza vai sofrer.

Segundo outra entrevistada o ponto negativo do curso  seria a carga horária do curso que é insuficiente, "é pouco o curso, é muito rápido, é muito corrido..."

Também elas afirmam que a prática na EJA está longe de ser a ideal, que o curso é voltado pra o ensino fundamental, por isso fazem mais estágio nessa modalidade:

Eu acho que a gente deveria ter um contato... que a gente não tem ... como nosso estagio é feito no ensino fundamental ...acho que pra se melhoria a gente deveria ter prática... contato com o EJA... aqui a gente só escuta... a gente só ouve mas contato direto a gente não tem. (graduanda entrevistada, 2014)

Como essas entrevistas foram feitas individualmente, ficou fácil de identificar que as graduandas compartilham das mesmas percepções e perspectivas sobre o curso, e suas limitações, todas confirmam que no curso deve haver melhorias, ampliação das horas da disciplina EJA, e que formação continuada é fundamental pois aprendem muito pouco na graduação.

 A professora entrevistada mostra-se apaixonada pela disciplina que ministra. Ela iniciou sua carreira profissional na educação infantil, após se formar numa universidade pública, onde segundo ela ainda não havia a disciplina EJA, nem como optativa. A professora foi se envolvendo com a  disciplina após influências recebidas de Paulo Freire, quando foi aluna dela no doutorado na PUC.

Eu tive uma influência muito grande de Paulo Freire fui aluna dele na PUC de São Paulo, então assim... eu fiz doutorado na PUC, pude acompanhar a volta de Paulo Freire do exílio, um pouco da trajetória dele ... quando ele volta a dar aula na universidade ... Eu recebi muita influência do pensamento dele, numa época em que eu trabalhava muito com criança, porque em 2001 eu estava muito envolvida com alfabetização de criança, quando fiz doutorado... mas foram vivências muito importantes que foram incorporados, em meu fazer, em meu pensar, ao meu jeito de dar aula de tratar os alunos, eu aprendi muito com as leituras... é possível ser rígido e ser doce ao mesmo tempo... é possível não perder o foco e ser carinhoso é possível dar aula e ter prazer, é uma coisa muito boa que se aprende com ele, uma coisa que a gente aprende é ser professor e de EJA é gostar de ser humano, e se não gosta, gosta de papel tem que mudar a profissão, ser bancário a profissão professor exige da gente ser um ser apaixonado pelo outro. Fazer o outro homem, como diz Paulo Freire, crescer na sua plenitude, porque não adianta a gente ter uma... uma paixão pelo homem para destruir né, porque isso é possível também dentro do conhecimento científico... hoje você pode tanto fazer uma pessoa crescer, como pode destruir a pessoa, então... na EJA a gente aprende muito essa historia, é isso... (Fala da professora entrevistada, 2015)
 
A professora considera que seu deslocamento da educação infantil para a educação de jovens e adultos a fez ser uma pessoa melhor, com uma visão de mundo melhorado. Em sua entrevista ela afirma que:

...esse deslocamento meu, da educação infantil para EJA, me fez ficar mais humana, mais esperançosa, mais solidária, então assim o deslocamento de uma área para EJA, eu fiz durante a minha trajetória profissional me deu mais consistência acadêmica uma visão de mundo melhorado.. uma visão que homem é esse que eu quero educar adulto, muito melhor de quando eu trabalhava só com criança ... (fala da professora entrevistada, 2015)

A docente se mostrou muito interessada em melhorar e ampliar a disciplina, está sempre trabalhando em prol do desenvolvimento da mesma. Ela se preocupa com o fato de muitos não a considerarem uma modalidade de ensino. Vejamos o que disse a professora a esse respeito:

...e que o curso de pedagogia consiga entender que a EJA é uma modalidade de ensino, não é um apêndice, não é uma qualquer coisa, é uma modalidade importante assim como as outras modalidades... (professora entrevistada, 2015)

O que se percebe na fala dela é que o curso em si não atribui à disciplina significativo valor, segundo ela a mesma é deixada em segundo plano pelos colegas de faculdade, muitas vezes, como algo que não tem utilidade. No entanto, a professora é otimista, aponta as dificuldades, mas apresenta alguns avanços mesmo que ainda haja limites. Segundo ela disciplina não era nem optativa e hoje com a nova reformulação de 2005 passa a ser obrigatória na grade como exigência para a formação acadêmica.

Para complementar as entrevistas, também analisamos o projeto pedagógico do curso e a ficha de disciplina EJA.

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